11 julho 2017

tio Malguinhas

Ao arrumar a casa, que é como quem diz, umas pastas no computador, encontrei alguns documentos e algumas fotografias que trouxe para a secretária, que é como quem diz, para o presente e para perto de mim. Desses documentos gráficos ou visuais, destaco esta bonita imagem, que um dia registei, do tio Malguinha a tomar conta do seu alambique a destilar aguardente, como quem guarda o seu rebanho, não viesse a guarda e respectiva multa e lhe levasse confiscado o precioso licor.
Num esforço de memória inglório, não consigo data-la, mas é já, com certeza, do século XXI.

07 julho 2017

arrancar batatas

(fotografia roubada da internet)

Muitas vezes, enquanto criança e jovem, participei nessa actividade agrícola, normalmente um trabalho colectivo para a família, vizinhos, amigos e compadres, num esquema de torna-jeira, ajudando a apanhar da terra as batatas arrancadas a golpes de guinchas (na fotografia, utensílio visível nas mãos dos homens). Num claro exemplo daquilo que era, e ainda é, a clássica divisão do trabalho por género, aos homens competia-lhes percorrer os sulcos, alinhados e transversalmente (como também se vê na fotografia), e trazer para a superfície todos os batateiros que ficavam expostos e disponíveis para serem colhidas todas as suas batatas, numa tarefa destinada às mulheres e crianças que, logo atrás dos homens, as recolhiam num balde ou cesto e depois, quando estes cheios, vertiam-nas para sacas que iam ficando espalhadas pelo terreno. Para além da força e resistência necessárias para trabalhar com as guinchas, importava também não estragar as batatas, ou seja, escolher bem o sítio onde se golpeava a terra para não acertar em nenhuma - na terminologia local, para não enrilhar as batatas.
Pois bem, só hoje e já homem já mais do que adulto, é que tive o privilégio de usar umas guinchas e, por incrível que possa ter sido, não enrilhei nem uma batata. Alguém deveria ter registado esse longo momento, mas infelizmente tal não aconteceu.

06 julho 2017

a solução passaria por aqui...


Lamentavelmente foi rejeitada pela Assembleia da República com as abstenções do PSD e CDS e voto contra do PS.

gostei e por isso partilho


" Quatro anos "


Nem havia propriamente uma ideia de base, um modelo a seguir, um objetivo, sequer uma razão. Ainda não há nada disto, na verdade. Esperava que durasse umas quatro semanas. Faz hoje quatro anos que existe. Lia blogs havia mais anos do que me recordo. Lia-os nacionais e internacionais, de diversos quadrantes, díspares origens. Por lê-los, pensava que sabia alguma coisa de blogs. Como estava enganado. Nada se sabe sobre blogs antes de criar um. Pouco se sabe [pouco sei, posso dizê-lo] depois de quatro anos a alimentar um. É um ser evolutivo, um blog, em mutação permanente. Nós, que escrevemos para distribuição imediata, que podemos olhar para estatísticas, que não temos que prestar contas a um editor, temos um privilégio inacessível à generalidade das gentes até ao advento dos blogs: publicar exatamente o que queremos, quando queremos, sem qualquer restrição geográfica. Há apenas vinte anos, isso seria impossível. Continuamos a ter um privilégio face a quem abdica de graus de liberdade para viver nos jardins murados das redes sociais. Os blogs são o derradeiro reduto da liberdade editorial em estado puro. Sem sujeição a regras, algoritmos de ranking, supressores de artigos, limitadores de palavras ou imagens. O anúncio da morte dos blogs é deveras prematuro. De uma liberdade conquistada pela primeira vez na história humana, não se abdica facilmente: continuarão a existir blogs.
A todos os que, de uma forma que me espanta e maravilha, leem e acarinham este espaço, pleno de idiossincrasias, o meu sincero, comovido, agradecimento.