30 julho 2016

ler e gostar, muito

Está escolhido e eleito o texto do número sete da revista Granta portuguesa. Acabada de ler, o melhor ficou quase para o fim, isto porque é meu hábito lê-la do fim para o princípio, excluindo o Editorial. O texto "Quando em meu mudo e doce pensamento", de Tiago Rodrigues (desconhecido até então para mim), arrebatou-me os sentidos e remexeu-me os sentimentos. Pelo fio da navalha, somos levados alternadamente por um actor em palco, uma conversa com George Steiner, uma aldeia do Portugal remoto e a poesia de Shakespeare. Bonito, intenso e arrebatador. Mais uma forte razão para continuar a comprar e ler a revista Granta. Sempre boa. Nunca mais é Novembro.

29 julho 2016

21 julho 2016

mediascape: caixa de pandora


Hoje, no jornal Público, o acto primeiro de algo que degenerou até chegar à vergonha actual. Digo eu.

15 julho 2016

baú da memória XIII

Hoje entrei no café Mon Ami em Vila Nova de Gaia, depois de mais de vinte anos sem lá ir. Apesar da sala ser a mesma, tudo está diferente daquilo que guardo na memória desse café, desde a disposição da sala (mesas e cadeiras), empregados, balcão, serviço, movimento, clientela, gerência, etc., apenas o quiosque lá se mantém mais ou menos como o recordo no canto direito, junto à entrada e em frente à escadaria que dá acesso ao primeiro andar.
Pedi uma bebida e lá estive numa contemplação comparativa e retrospectiva com o início da década de noventa, altura em que quase diariamente lá ia, lá estava e lá ficava. Nesse tempo, em que era apenas estudante e em que não tinha carro, nem sequer carta de condução, e me deslocava de autocarro entre casa e as escolas que frequentava em Gaia - a Escola Profissional de Soares dos Reis e a Escola Secundária Almeida Garrett, e as muitas horas de espera pelo transporte que eram passadas no Mon Ami à conversa com colegas e amigos, ou sozinho a ler. Recordo bem as noites de sexta-feira, em que comprava e lia o saudoso semanário Independente e delirava com a perspicácia e acutilância de Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas, assim como me deliciava com as boas francesinhas que lá havia. Depois, o regresso a casa no último autocarro da noite, o da uma da madrugada. Mas também era lugar de rotinas a horas diversas, de comprar o jornal, beber um café, dar duas de letra, jogar no totobola e comprar tabaco. Lugar de encontro e de celebração, várias vezes participei em almoços e jantares lá organizados.
Um lugar, no verdadeiro sentido da palavra, ou seja, usado e experimentado pelas pessoas. Agora, agora não sei como vive. Desconfortável não me senti, mas já não é a mesma coisa.

chegou-me há dias

"No elevador de um hotel em Macedo de Cavaleiros. 
Muito bom gosto..."

(recebido há dias no email e proveniente de um aluno amigo)

01 julho 2016

para os dias de veludo que se aproximam...

palavras razoáveis e certeiras

Na última revista LER, que por falta de tempo, ando a ler muito devagar e a espaços, Maria do Rosário Pedreira, editora e poetisa, fala sobre a sua vida e, essencialmente, sobre livros e edição. Porque já a leio há muito tempo, visito regularmente o seu blogue, li com atenção as suas palavras e reconheci-me em muitas delas...

Acredito que haja um público que se interessa por poesia. Acho é que há menos público para a literatura em geral porque se minou a edição com livros que não valiam nada e se educou o gosto por uma bitola muito baixa e é muito difícil trazer essas pessoas que estão habituadas a esse tipo de livros para a verdadeira literatura,  que exige atenção, esforço, concentração, cultura, exige uma data de coisas que hoje os leitores provavelmente não têm. E isso é que é problemático.
(...)
Isso hoje é que não se faz nas escolas. Duvido que numa escola primária os miúdos leiam poemas a sério. Devem ler as quadrilhas dos livros infantis, da girafa e do elefante, mas não sei se se dá, hoje em dia, às crianças poesia a sério. Mesmo que não compreendam tudo, é importante.
(...)
Não consigo desistir desta minha vontade de dar visibilidade a quem tem talento. Não posso demitir-me da minha responsabilidade de publicar uma pessoa que pode fazer a diferença e ser lembrada daqui a muitos anos. Embora fosse mais fácil para mim, para fazer os meus números, fazer livros maus de pessoas conhecidas. Mas não é isso que me move. O que me move é aquilo que pode ficar. Obviamente, só daqui a 50 anos é que saberemos se estes autores novos que foram lançados já no século XXI ficaram, mas eu gostava que alguns ficassem. Sei que não acontecerá com todos. 
(...)
O que eu gostava é que as pessoas lessem um livro e o livro não fosse mal escrito, não fosse estúpido, não fosse manipulador, que também há, como aquele tipo de "literatura Paulo Coelho", que é sobretudo manipuladora porque aquilo nem sequer está mal feito mas é horrível, as pessoas vão atrás daquilo.
(...)
O que mais me irritou nestes últimos anos foi a quantidade de gente que se convenceu de que era mais importante pagar uma dívida externa do que alimentar os filhos. Isto irritou-me muito porque acho que é mais importante dar de comer a quem tem fome do que pagar a conta ao merceeiro. Claro que é importante não fazer dívidas, mas há coisas que acho que estão acima de outras. 

mediascape: ar abençoado

Já tinha ouvido falar deste novo produto associado a outras geografias, mas agora chegou até nós e mais em concreto até Fátima (só podia). Há gente sem qualquer escrúpulo. Vender latas com "ar sagrado" de um qualquer lugar é vender latas vazias ou cheias de nada. Mais me impressiona é haver quem acredite neste logro e pague três euros por algo que não existe. O ar ainda é de todos e não se paga para respirar. O aproveitamento da fé e da crença das pessoas, principalmente daquelas menos esclarecidas, é algo que não deveria ser permitido. Aliás, a Igreja deveria intervir e impedir que sob a influência do seu santuário Mariano houvesse charlatães a vender a banha da cobra.