21 abril 2017

ainda é assim

Está a aldeia repleta de seus filhos, reunidos em Páscoa. Tentando manter os ritos tradicionais católicos, cumprem-se as deambulações entre a igreja, a procissão e a visita pascal, momentos que esgotam largas horas da manhã e ameaçam as da tarde, obrigando as impacientes cozinheiras a manterem os leitões, os borregos e as vitelas, mais algum tempo ao lume para não arrefecerem.
Por fim, a hora do fausto manjar em família. Saboreiam-se as melhores carnes, bebem-se bons vinhos e, por último, apreciam-se as abundantes doçarias e sobremesas que rapidamente substituem, na mesa, as travessas dos despojos da refeição. Como se gosta tanto de açúcar, confirmando o velho dito de que é doce e bom porque não amarga.
Depois disto, larga tarde para conviver com família e amigos, rever velhos companheiros, ir até ao café e partilhar aventuras das andanças de cada um, entremeadas por tragos de vinho ou cerveja, ou ainda jogar às cartas para quem perder pagar os consumos efectuados.
Ao pôr do Sol, o regresso a casa para o jantar, normalmente, para acabar com a comida que sobrou do almoço. Mais tarde, ou na manhã seguinte, é hora de regressar às vidas das diásporas e do quotidiano, projectando sempre o próximo regresso ao lugar que os viu nascer.

17 abril 2017

mediascape: omnipresente

Sim, estou a falar de Marcelo Rebelo de Sousa... quer dizer, desculpem, estou a falar do Presidente da República Portuguesa. Impressionante, ele está em todo o lado, conseguindo mesmo bater os recordes do nosso mediático emplastro.
Agora, noutro registo: É isto ser Presidente da República? Eu pergunto, porque nunca vi nada igual. Eu pergunto, porque a experiência anterior foi traumaticamente oposta. Eu pergunto, porque a memória já me falha ao tentar recordar a praxis dos seus precedentes. Eu pergunto, porque eu até simpatizo com a figura (na altura devida, não o considerei a pessoa indicada para o cargo).
Noutro registo ainda: O homem vai a todas, não perde uma oportunidade... quer estar ao lado de todos e cada um dos portugueses nas suas horas mais aflitas.
Ainda, registo outro: a sua omni-presença começa a ser exagerada. Tem-se revelado um interprete popular na sua magistratura e, por contraste com o seu antecessor, todos nós simpatizámos com ele, mas tudo tem os seus limites e Marcelo Rebelo de Sousa, parece-me, ainda não conseguiu distinguir bem os limites entre os diferentes papeis sociais que desempenhou e desempenha.
Lamento dizê-lo, mas o seu "reinado" será, assim, fácil e recorrentemente caricaturado e ridicularizado.

sarampo

Eu não tenho a certeza, mas acho que já me manifestei, aqui, sobre esta questão dos movimentos "anti-vacinas" ou "anti-vacinação". Contudo, e face ao que está a acontecer com esta nova epidemia de Sarampo em Portugal, não posso deixar de dizer, ou se calhar, voltar a dizer, como é estúpido e irresponsável não vacinar os filhos. Meus senhores e minhas senhoras, o que mata são mesmo as doenças e não as vacinas, apesar do residual risco de alguma complicação ou mesmo morte. Senhores e senhoras, não se trata de uma imposição do Estado, trata-se de uma questão de saúde pública e essas doenças só estavam e estão erradicadas da nossa sociedade, porque a maioria de nós sempre vacinou as criancinhas. Meus e minhas egoístas de merda, se vós vos podeis dar ao luxo de não vacinar os vossos filhos, é porque eu e a grande, e esmagadora, maioria de pais vacinamos os nossos e sabemos que ao fazê-lo estamos a contribuir para a imunidade deles, assim como para a de todos nós. O que não quer dizer que os ditos vírus e bactérias não estejam por aí, mas sim que vivemos numa sociedade com salubridade e cuidados de saúde suficientes para estarmos a salvo de tais enfermidades.
Basta espreitarmos a argumentação desses iluminados dos grupos e associações "anti-coisas", para percebermos que estamos em exclusividade no território das crenças, ou talvez, das crendices, com a ambição e pretensão de fundamentar o seu discurso e sua não-prática naquilo que é commumente denominada de pseudo-ciência, de braço dado com doses cavalares de teorias da conspiração para todos os gostos e feitios.
Tudo isto porque não se trata de uma questão de direitos ou liberdades, mas sim, total e exclusivamente, de uma questão de saúde pública e, assim sendo, não deveremos ser tolerantes, nem contemplativos.

adenda: (por esquecimento faltou escrever) Aquilo que é o conforto, o bem-estar e a saúde que hoje experimentamos devem-se, quase unicamente, à ciência e ao seu desenvolvimento teórico, tecnológico e laboratorial. Aquilo que se ambiciona sempre é uma ciência reflexiva e crítica que permita a sua evolução e desenvolvimento, mas atitudes como esta da não-vacinação, para além de demonstrarem um total desrespeito por todas as vítimas das respectivas doenças, demonstram a falta de dignidade para com todo o esforço e despesa realizados ao longo de décadas e décadas. Não contribuem em nada para esse esforço colectivo, muito pelo contrário. Disse.

a arte de bem escrever


No remanso destes poucos dias por terras de Trás-os-Montes, a leitura resumiu-se a este pequeno livro.
Servindo-se de três personagens centrais, Mário Cláudio tece uma ficção em volta do épico de Luís de Camões, Os Lusíadas, reabrindo uma velha discussão sobre a autoria dessa obra. Sem nos dar qualquer resposta ou novidade sobre essa dúvida(?), o autor, através dessas três personagens, percorre todo o tempo entre as aventuras e desventuras de Camões e os nossos dias, numa narrativa empolgante e muito bem escrita. Mário Cláudio, que chegou a ser meu professor na Escola Superior de Jornalismo, confirma aqui o seu génio literário. Muito bom.

16 abril 2017

domingo de páscoa

Dia inteiro na aldeia, desde a longa espera pela visita pascal para poder sentar à mesa e, gulosamente, comer borrego e leitão assados, até ao final do dia, com uma tarde inteira sentado à sombra da Figueira a jogar cartas (à Blota) e a beber cerveja (SuperBock). Rico e tranquilo dia passado em família. Sobraram alguns registos no telemóvel da Emília.





14 abril 2017

caminhar pelo monte

Todos os anos por esta altura dedico um dia para passear, caminhando pelo monte, naquilo que é o termo de Vila Boa, meu axis mundi, procurando sempre percursos diferentes e alternativos que possibilitem andar durante grande parte do dia sem sentir qualquer sinal de civilização. São passeios magníficos e, a cada momento, a contemplação de paisagens fabulosas faz-nos esquecer o cansaço crescente que nos invade o corpo. Em pequeno grupo familiar, sempre liderado e orientado pelo patriarca, é sempre um prazer observar a natureza neste seu momento de cíclico rejuvenescimento. Estes passeios remetem-me sempre para Jean-Jacques Rousseau e os seus "Devaneios do caminheiro solitário" (2007, Livros Cotovia), onde aproveita os seus passeios pelo campo para reflectir sobre as questões que lhe importunam a mente. É uma obra que me marcou e à qual, por razões várias, regresso regularmente.
Vou sair para o monte daqui a minutos e quando regressar, aproveitando as maravilhas da nova tecnologia, aqui partilharei alguns desses momentos e lugares. Bom passeio.






12 abril 2017

finalizando colecção

Aproveitando os dias estivais e o menor trânsito no centro da cidade Invicta, dediquei o início das manhãs desta semana à visita de livreiros e alfarrabistas, com o propósito de completar a minha colecção da revista Brigantia. Revista de Cultura, editada desde 1981, pela Assembleia Distrital de Bragança. Já há muito tempo decidi reunir todos os seus números, tarefa bastante difícil, principalmente, a partir do momento em que os seus promotores desinvestiram nesta publicação e a levaram quase à extinção. Ela ainda existe, mas já nada tem de parecido com as edições mais antigas e o momento decisivo para essa degenerescência foi o desaparecimento do seu fundador e director, Dr. Belarmino Afonso. Desde a sua morte que a revista deixou de ter a dinâmica que possuía anteriormente e, daí para cá, foi sempre em perda. Está na altura de lhe dar uma nova vida, pois continuo a acreditar que há lugar e espaço para a sua sobrevivência enquanto projecto editorial e cultural.
Regressando às deambulações matinais pelas livrarias alfarrabistas. Visitei a Livraria Sousa & Almeida, na rua da Fábrica, que soube através de notícia no JN, irá fechar até ao final do ano, pois o edifício foi vendido e será ocupado por uma unidade hoteleira (só podia...). Segundo me disse o seu proprietário, tem todos os livros a, pelo menos, 50% do preço de capa e está a tentar vender o maior número de livros possível para fechar as portas. Lá encontrei algumas preciosidades e questionei-o sobre a revista Brigantia, ao que me respondeu que sim, sabe que tem vários números no armazém, mas tem que ter tempo para lá ir e depois me dirá alguma coisa... até hoje, ainda não me disse nada. Vou lá regressar amanhã de manhã. Entretanto, fui à Livraria Académica, na rua Mártires da Liberdade, e falando com o Sr. Nuno Canavez, logo consegui o que pretendia. Faltavam-me 15 números da revista e na Académica consegui, desde já, 10 deles a um preço espectacular. Assim e agora, apenas me faltam 5 números da revista, que sei o Sr. Nuno lá tem, mas como fazem parte da sua colecção completa, ele não a quer desfazer e prefere esperar para a tentar vender inteira. Compreensível e por isso não insisti, apenas lhe pedi para me ligar caso consiga encontrar esses últimos números em falta.
Satisfeito termino estas palavras.

04 abril 2017

é hoje...

Daqui a pouco estarei na Universidade Católica a falar sobre Trás-os-Montes, numa viagem através dos seus caracteres culturais e identitários. Conceitos como a identidade, a alteridade, a nomeação e tradução cultural serão abordados. Apareçam.

01 abril 2017

a obsessão da portugalidade

Aproveitando a ilusão de promoções (flash sales) da Fnac, trouxe hoje comigo o mais recente livro de Onésimo Teotónio Almeida, publicado já em 2017 e que versa sobre as nuances da identidade nacional, ou melhor sobre a identidade da portugalidade. Sendo uma questão que me interessa - a identidade - e sobre a qual também tenho dedicado algum tempo e trabalho, ainda que numa outra perspectiva e dimensão, as expectativas são elevadas também porque se trata de Onésimo Teotónio Almeida. No momento em que releio partes do seu despenteando parágrafos, vou colocar este novo livro no cimo do monte de livros para ler. Em breve regressarei com os devidos comentários.

Os intelectuais, bem como os cientistas sociais, ignorarão à sua própria custa esta questão da identidade. Ela não passará, todavia, por mais que eles lhe fechem os olhos. Poderá mudar de nome - e talvez até conviesse, dado que, como espero ter demonstrado, o termo hoje incorpora um complexo de realidades em simultâneo. Todavia, ainda que mudasse de nome, não deixaria de existir. (autor, folha prévia ao frontispício)

pita arisca

Foi no passado fim-de-semana que, em grupo de amigos, me levaram a jantar à casa de pasto Pita Arisca, em Torno, concelho de Lousada. A única informação que tinha era que iria comer um cabrito no forno delicioso. Apreciador como sou dessa carne, foi com alguma expectativa que viajei pela velhinha nacional 15 (a caminho de Amarante), trajecto que fiz semanalmente, durante anos e anos, até à conclusão da A4 entre o Porto e Amarante, mas que desde então não voltei a fazer. Também por isso foi uma experiência interessante, pois reconheci todas as curvas dessa estrada e muitos dos elementos da paisagem que permanecem.
Mal acabados de sentar à mesa, logo começaram a servir as fartas travessas de cabrito e de batatas assadas em forno a lenha. Se o cabrito é bom, as batatas não lhe ficam atrás, sendo que o segredo para o seu excelente sabor é serem assadas em tabuleiros colocados por baixo das grelhas onde assam os cabritos. Muito, muito bom. Tudo isto acompanhado por um verde tinto da casa, bem fresco e bebido em tigelas de louça branca e que encaixou superiormente com a carne do cabrito.
Comemos e bebemos até ficarmos consolados e o preço final não foi além daquilo que a casa anuncia, ou seja, vinte euros por pessoa. Foi tempo então de regressar a casa e acabar a noite com um refrescante Gin Tónico.
Nota final para reafirmar o meu prazer em descobrir novos locais, em viajar para degustar aquilo que de bom se faz um pouco por todo o nosso país, sempre acompanhado por bons amigos igualmente amantes de boa comida.

31 março 2017

pena é não ser ouvido por quem deveria

Frederico Lourenço, escritor e filólogo, ao receber o Prémio Fernando Pessoa, no dia 29 de Março, referiu-se à importância das línguas clássicas e à necessidade de as incluir novamente nos programas do ensino secundário. O Latim e o Grego não são línguas mortas e são centrais para a compreensão da nossa História, enquanto nação, enquanto cultura, enquanto civilização. As ciências humanas, tão desprezadas nas últimas décadas pelos decisores políticos e pelos responsáveis do ministério da educação, dependem de um conhecimento claro e estabelecido destas línguas.
Eu, felizmente, quando ingressei no 10º ano, ainda tive a oportunidade de escolher uma delas, tendo optado pelo Latim. O fascínio pela História e pela civilização Romana foram as motivações para a escolha, mas na altura estava longe de imaginar que um dia esse conhecimento, ainda que básico e pouco trabalhado, me iria ser útil para o meu "modo de vida".
Deixo aqui a ligação para a notícia da excelente intervenção de Frederico Lourenço.

29 março 2017

sobressalto pessoal

Foi por estes dias, durante uma aula, quando eu falava da relação entre cuidador, tratador ou médico e doente, paciente ou utente, que fui interrompido por uma aluna de enfermagem que me disse que agora o termo utilizado não seria doente, paciente ou utente, mas sim cliente. Não me apercebi logo do que estava a ser dito e questionei a referida aluna sobre o contexto onde essa alteração se tinha verificado, ao que ela respondeu que tinha sido na própria universidade que um, ou mais professores (?), lhes ensinara que o termo apropriado é cliente.
Não quis acreditar, mas acho que me consegui controlar e ninguém terá percebido a minha súbita indisposição. Então agora são as próprias instituições de ensino especializado e superior, que preparam e formam os profissionais da saúde de amanhã, quem incute e "evangeliza" o credo liberal. Irei tentar perceber o que está acontecer...
A transformação de doentes, pacientes e utentes em clientes é mais uma prova de como o capital subtraiu aos sistemas de saúde, qualquer réstia de humanismo, de cuidado, de relação pessoal entre cuidadores e seus doentes. É também uma transformação radical nas percepções e nas representações sociais relativamente aos sistemas de saúde. Agora, mais do que nunca, apenas os clientes - leia-se, apenas quem tem dinheiro - poderão aceder a cuidados de saúde com qualidade. Depois, mesmo etimologicamente, ser cliente implica a presença do factor valor (dinheiro), enquanto que os termos doente, paciente e utente ilibam ou permitem a ausência desse factor. Daí esta persistência liberal em conquistar e dominar os sistemas de saúde. Estes e a Segurança Social são e serão, nos próximos anos, os grandes negócios para o capital, que só descansará quando conseguir eliminar o Estado desses sectores, ou melhor, quando conseguir eliminar o Estado da nossa sociedade.
Resistirei, resistiremos até não podermos mais. Quando vou ao médico, ao centro de saúde, ou ao hospital e necessito de qualquer cuidado médico, sou e serei sempre um doente, um paciente, ou quando muito, um mero utente do Serviço Nacional de Saúde.

25 março 2017

passado recente da cultura e sociedade portuguesa


Tive conhecimento deste livro na última revista LER (Inverno 2016), onde o autor, António Araújo é entrevistado e apresenta o livro. Chamou-me a atenção o propósito da obra e o jeito, claro, objectivo e desempoeirado, com que o autor falava desse passado recente e, em concreto, da década de 80, tão desprezada pelo mainstream cultural e editorial da actualidade, procurando, a partir da direita, as clivagens que continuam a dividir as culturas de esquerda e de direita. Tal como explica o autor no inicio do livro e também explicara na entrevista à revista LER, este projecto editorial implicou a edição de um outro livro, escrito por João Pedro George, sobre o mesmo período histórico só que do ponto de vista da esquerda e que virá a público ainda este ano de 2017.
Rapidamente procurei o livro e o trouxe para casa. Foi a leitura das últimas noites - naqueles momentos em que já nada mais poderá acontecer a não ser esperar que o sono chegue.
Aconselho a todos e a todas que queiram conhecer um pouco melhor a nossa sociedade das últimas décadas.
Espero com alguma expectativa o livro de João Pedro George.

21 março 2017

racismo, europa e democracia

Nem de propósito, ou nem a pedido. Estava eu a dizer no texto anterior que os europeus deveriam cuidar dos seus cidadãos para evitarem populismos e suas personagens, quando nos chega esta pérola da boca de Jeroen Dijsselbloem, ainda ministro das finanças da Holanda e ainda presidente do Eurogrupo, que acusou os europeus do Sul de gastarem o seu dinheiro “em copos e mulheres” e “depois pedirem que os ajudem”. Pois muito bem, para além do óbvio, ou seja, que este senhor não tem condições para exercer os cargos que exerce, esta declaração diz muito mais acerca da sua mundivisão do que diz dos povos do sul da Europa. Este senhor, desesperado pelo resultado obtido pelo seu partido na Holanda e vendo o seu chão a desabar, revela-se em todo o seu ressentimento e racismo. Sim, esta declaração não é xenófoba, esta declaração é completamente racista e transmite todo o ódio e incompreensão pelos diferentes e variados modos de vida existentes na Europa democrática e pluralista.
Só tem uma escolha, demitir-se dos cargos europeus e regressar ao seu mundo perfeito, sério e responsável, aquele das virtudes públicas e dos vícios truncados pela privacidade. Siga sr. coiso.

populismos, europa e democracia

Ainda a propósito do rescaldo das eleições na Holanda e quando todos, ou quase todos, suspiram de alívio pela não vitória do partido de extrema-direita de Wilders, fartam-me os comentários dos eruditos do costume. É tão simples quanto isto:
Eu também fiquei satisfeito pela relativa derrota dessa política nacionalista, extremista e xenófoba, mas não entendo a deriva generalizada, na opinião publicada, acerca daquilo que é comum tratar-se por populismo. Estou farto desse raciocínio. E mais agoniado estou com o lugar comum das justificações encontradas para o crescimento desses populismos pela Europa. Reparem, segundo a maioria dos opinadeiros da nossa praça, a razão quase exclusiva dessa evolução é o esvaziamento dos centros políticos ou partidários (numa lógica direita/centro/esquerda). Não estou com isto a defender esse ou outro populismo, mas, parece-me esta explicação muito redutora e insuficiente, principalmente, quando e porque proferida sempre por quem ocupa esse centro, habituado aos privilégios das grandes organizações, ao mainstream da comunicação social e, não menos importante, à grande resistência e conservadorismo desses privilegiados do sistema em relação às periferias e, acima de tudo, em relação às mudanças de paradigma.
Minhas senhoras, meus senhores, vivemos ou não em democracia?! E a democracia é isso mesmo, permitir a existência de quem pensa, opina, age e acredita noutra estruturação para a sociedade. Podemos gostar ou não, podemos acreditar ou não, mas em democracia deveremos sempre aceitar os resultados do voto livre, consciente e democrático.
Tal como referi em relação aos EUA e à vitória de Trump - que me subtraiu qualquer vontade de comentar o que passou a chegar do outro lado do Atlântico - e direi sempre, vencedores e vencidos deverão sempre adaptar-se às novas realidades. Se não são dignas ou são impróprias, tratem de alterar as leis e os regulamentos, tratem de cuidar dos cidadãos e das suas comunidades. Assim se derrotarão todos e quaisquer populismos e seus personagens.

20 março 2017

a quem interessar...


Aula aberta a toda a comunidade escolar e não escolar. A quem interessar, apareça.