20 fevereiro 2017

imperdível, apurriar no Alvim

Para aqueles e aquelas que, por distracção ou omissão, não assistiram ao vivo, aqui fica o registo imperdível e para memória futura.
 

16 fevereiro 2017

amor inteiro

Ela diz que se devia conseguir viver como eles vivem, o corpo abandonado num deserto e, no espírito, a recordação de um único beijo, de uma única palavra, de um único olhar para um amor inteiro.
(Margarite Duras, in "olhos azuis, cabelo preto", 2014:53)

14 fevereiro 2017

ao espelho

Eu e o apurriar fomos conversar com o Alvim. Gravámos hoje de manhã, vai passar no próximo dia 17, sexta-feira, pelas 24 horas, no Canal Q. Não percam.

10 fevereiro 2017

solilóquio

Serei um cáustico? Sim, sou. Sou um cáustico e com sádico prazer! Sempre. Qualidade indispensável para uma mente sã.

alma da vinha

Foi algures neste último Verão que eu conheci este vinho. Por um mero acaso, quando fui comprar um maduro branco chamado Porrais, que descobrira uns meses antes e do qual fiquei bebedor, a funcionária da loja aconselhou-me este Alma da Vinha, também maduro branco e com um preço excepcional. Aceitei o desafio apenas porque adorei o seu nome. Trouxe uma caixa de seis garrafas.
Entretanto, o Verão que durou até finais de Outubro, obrigou-me a bebê-lo e a querer sempre mais. Afrutado e bem fresquinho encaixou sempre muito bem nas conversas estivais, diurnas ou nocturnas, que foram acontecendo.
Mais tarde e com a chegada do tempo mais fresco, foi altura de experimentar a sua versão tinta, ou seja, maduro tinto. Boa escolha, também com um preço estúpido e de razoável qualidade, apesar de não ter o mesmo nível que o branco, até porque se exige sempre mais de um tinto, a verdade é que fiquei seu consumidor e, nos momentos quotidianos em que me apetece beber um copo de vinho, é a ele que me dirijo.
Foi por isto e assim que me lembrei de contactar os seus produtores, a empresa Caves do Monte, para me patrocinarem, com maduro branco, o livro que agora lancei. Foi com reforçado prazer que pudemos confraternizar nessa tarde de Janeiro e enrolar as palavras no sabor da alma dessa vinha.

09 fevereiro 2017

caminho certo

EDITORIAL

A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa!

Depois de a Academia vir a terreiro dizer “o rei vai nu” já não é possível fingir que nada se passa.
Provavelmente nenhum outro país, como Portugal, é tão cioso de querelas ortográficas. As línguas com maior difusão no planeta lidam com o tema de forma simples: aceitam as suas diversidades e seguem adiante. Isso sucede com o Inglês, o Francês ou o Espanhol, sendo que, no caso dos dois últimos, as respectivas academias não se coíbem de propor alterações, mas meramente indicativas.
Os acordos ortográficos são, também, uma originalidade nossa. Depois da revolucionária reforma de 1911, feita a pretexto de “simplificar” a escrita e o ensino, veio o AO de 1945 e, por fim, o AO de 1990 (ressuscitado em 2006 para ser depois imposto em 2011). Pelo meio, houve várias alterações e mexidas de pormenor e tentativas abortadas de fazer outros acordos, alguns até bastante radicais (o de 1986, por exemplo, abolia quase todos os acentos e criava palavras absolutamente ininteligíveis).
Chegámos a 2017 com um quadro muito pouco animador: um comprovado caos na escrita (há cada vez mais exemplos, estão online, e todos os dias são coligidos mais) e as mesmas críticas de sempre, dia a dia ampliadas pela absoluta inércia dos poderes decisórios. A diferença é que, além de vários grupos de cidadãos não terem desmobilizado, a Academia das Ciências de Lisboa veio enfim apontar uma série de erros evidentes e propor a sua correcção. Porquê? Porque a Academia está a refazer o seu Dicionário (até finais de 2018) e quer usar nele uma ortografia digna desse nome. Por isso veio propor um conjunto de “aperfeiçoamentos” que põem em causa muitas opções consagradas no AO.
Claro que, a isto, o ministro Augusto Santos Silva já veio dizer “não”, embora acrescente que “nada está isento nem de crítica nem de possibilidade de melhoria”. Ou seja: está mal, mal continuará. Que as crianças aprendam erros, problema delas. Que pais e professores sejam obrigados a ensiná-los, pouco importa. Isto é uma posição insustentável e mostra como o PS, que revê e reverte tudo e mais alguma coisa, só não revoga aquilo que manifestamente não entende: e isso chama-se ortografia.
O problema é que, depois de a Academia vir a terreiro dizer “o rei vai nu” já não é possível fingir que nada se passa. Políticos e partidos não podem furtar-se à responsabilidade. É preciso agir, de forma consciente (e, como diz a Academia, com bases científicas), abandonando de vez a inércia. A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa! Ou dispam-na de vez. Mas façam algo digno, por favor.
(Nuno Pacheco, in Jornal Público, 9/2/17)

03 fevereiro 2017

embaraço meu

Foi com prazer que, pela primeira vez, pude declarar na contra-capa de um livro, a minha repulsa pelo acordo ortográfico que está em uso por decreto. É que já em momentos anteriores, leia-se publicações, tentei fazê-lo, mas fui sempre convencido por terceiros a não vincar de tal forma esse meu sentimento, e acabei sempre por remeter para a ficha técnica a minha agonia. Curioso, eu diria mesmo, desconcertante é agora aperceber-me que, afinal, também escrevi palavras segundo a nova regra. Pois foi. Neste exercício masoquista de ler em busca de gralhas e erros, aterrador foi encontrar essas palavras mal escritas. Eu até sei que para muitos leitores não passam de pequenos nadas, mas para quem vincou de tal forma a indisposição face à nova prática, não deixa de ser embaraçoso. Lamento.

apurriado

Não é que seja novidade, ou sequer caso único, mas apurria-me solenemente encontrar gralhas, falhas ou erros nos textos depois de publicados, principalmente porque, apesar de não dispor de uma equipa de revisores especializados, procuro ter cuidado com as revisões que faço dessa escrita e peço sempre a mais do que uma pessoa para ler o que irá ser publicado. Fico apurriado, pois não é desleixo, não é incúria, nem tão pouco ignorância. Fico até com a impressão que na maior parte dessas gralhas o factor humano não é responsável. Enfim.

25 janeiro 2017

e agora, num registo diferente...


Agradecimento ao Luís Silva pela captação das imagens e ao José Lourenço pela edição e produção das mesmas.

24 janeiro 2017

uma década

Dez anos. Tanto tempo.
Aqui estamos a assinalar uma década de existência do meu, nosso, apurriar. 
Quando a ideia surgiu e, depois, se materializou, jamais se imaginou esta duração, esta permanência. Seria o que fosse... Agora que aqui estamos, ao retroperspectivar, percebo a dimensão do que está realizado: a quantidade de textos, imagens, filmes e outros, que fui amealhando dia após dia, ano após ano, nem sempre com a melhor verve, nem sempre capaz de comunicar, mas sempre com o propósito de registar, de manifestar, aquilo que considerei merecedor de umas poucas palavras. Ao reler toda essa produção de dez anos, percebe-se o registo pessoal, muitas vezes confessional, de seu autor. Sendo um blogue pessoal, será compreensível que se enquadre num ambiente diarístico, onde se manifesta um determinado perfil pessoal, psicológico e profissional.
Não entendo este momento como um fim, mas sim e apenas, como um pequeno marco na vida do blogue e, consequentemente, na minha vida. Por isso, aquilo que foi planeado para o dia de hoje, nada mais será do que, considero eu, uma devida e merecida celebração. A reunião de alguns textos em livro, pareceu-me a forma mais óbvia de assinalar a data e, para além disso, a produção deste livro permitirá a recuperação de alguns textos mais antigos, sua revisão e, depois, partilha com outros leitores. Sem qualquer ambição literária, comercial ou pessoal, esta partilha visa chegar, apenas e só, a todos aqueles que fizeram e fazem parte do meu apurriado universo. Por outro lado, terei que o reconhecer, este registo em livro é também a consequência da minha perene desconfiança das imaterialidades virtuais. Tal como já aqui escrevi, a certeza que tenho é que o suporte papel é fiável (tem dado seculares provas), é durável e conseguirá sempre chegar ao depois de mim. 
Tal como sempre aqui se afirmou, não há compromisso ou promessa para o futuro, apenas e só a declaração de disponibilidade para, por livre, espontânea e prazerosa vontade, prosseguir caminho e ir registando a vida possível e anotando o tempo que por nós passará.
Muito e muito obrigado.
O bloguer e autor

23 janeiro 2017

assalto

Eu queria comprar sacos plásticos. Simples sacos de plástico, daqueles básicos, sem qualquer estampado ou trabalho. Apenas sacos de plástico. Estava difícil encontrá-los e um amigo, querendo ser prestável, levou-me a uma grande superfície onde sabia existirem, em quantidade e quantidade e variedade suficiente para eu poder satisfazer a minha necessidade. Solícito, lá me foi mostrando os diferentes tipos de sacos até termos escolhido precisamente um modelo que não tinha referência, nem código, nem mais unidades. Dirigímo-nos a uma caixa para tirar a dúvida e, se possível, pagar. Foi chamado um colaborador que nada mais fez do que ir confirmar na respectiva secção aquilo que nós já víramos. Agradecemos à menina da caixa e regressámos à referida secção com o intuito de escolhermos outro modelo. Irritado com a atitude do tal colaborador que por ali ainda andava, o meu amigo, quando se viu sozinho, pegou novamente nos mesmos sacos (em rolo de 50 unidades) e disse-me para o acompanhar. Dirigiu-se, resolvido e sem hesitações, para a saída, com os sacos metidos num dos bolsos do casaco. Surpreendido pela atitude, segui-lhe os passos, sempre desconfiado e convencido que teríamos sido filmados e que, a qualquer momento, iríamos ser abordados por um corpulento segurança e, assim, apanhados em flagrante delito, ou que os sensores de alarme da loja iriam disparar à nossa passagem. Nada aconteceu.
Já na rua disse-me que eram estes os sacos que nós queríamos e eram estes que eles não queriam vender… ficou toda a gente satisfeita.
Eu só queria sacos de plástico.

22 janeiro 2017

ao espelho


(notícia no Jornal de Notícias de hoje, dia 22 de Janeiro de 2017)

palavras de António Sá Gué

Diz que não se sente escritor embora goste de escrever. E que não se sente capaz de criar uma narrativa imaginada completa e daí optar por este registo onde valoriza o relato e o testemunho.
Esta é a única incongruência que encontro no Luís. ELE é um escritor completo.Todas as obras são introspectivas sejam elas ficcionadas ou não. Esta também não foge à regra. Bem pelo contrário, nela o autor desnuda-se completamente em todos os aspectos da sua vida. Numa obra ficcionada ainda nos podemos esconder atrás das personagens ficcionadas, atrás das palavras do narrador, mas aqui não há hipótese de fuga.
(...)
Este é um Luís Vale que encontrei neste «apurriar» de 10 anos: Canhoto, modesto, culto, nostálgico, socialmente atento e interventivo, sensível, pai e marido extremoso, inconformado, irreverente - ás vezes cáustico, de bem com consigo próprio, pelo menos agnóstico, poeta e leitor compulsivo.
(Valadares, 21 de Janeiro de 2017)

apurriar (2007-2017)


Aqui está ele. Novo rebento, acabado de ser apresentado ao mundo.
Para mais informações e para compra, visite a loja da editora Lema d'Origem - aqui.

lançamento apurriar (2007-2017)

Aconteceu ontem, dia 21 de Janeiro, a partir das 17 horas, o lançamento do livro apurriar (2007-2017). Foi um momento muito bom e de convívio com todos e todas que fazem parte do meu universo e mais alguns amigos. Como não consegui perspectivar todo o evento e porque o meu repórter fotográfico nem sequer conseguiu ligar a máquina, estou a solicitar a todos aqueles que foram tirando fotografias que mas enviem para poder ficar com esses registos e para, também, as poder ir partilhando aqui. Ainda que venham a ser bem mais, deixo aqui alguns instantes, entretanto, já recolhidos.
Agradece o apurriar e agradeço eu aos que fizeram o favor de estar connosco.
Obrigado.




























(agradecido pelas imagens a: Ana Seixas, Cristina Pimentão, Ricardo Vale, Luís Silva e Rui Batista) 

20 janeiro 2017

lembrete

Porque vai acontecer já amanhã, relembro todos, e todas, que serão muito bem-vindos. Dizem que vai ser espectacular e, por isso, apenas por isso, eu vou lá estar. Dizem.