06 dezembro 2016

a quem interessar...


Eu vou lá estar. Quem estiver interessado poderá inscrever-se gratuitamente até amanhã, 4ª feira, através do seguinte email: conferenciasdegaia@cm-gaia.pt

01 dezembro 2016

constatação

Alguém que ocupa um lugar público por nomeação e não apresenta declaração de rendimentos, nem quer apresentar, manifesta uma profunda desconsideração pelo Estado. A atitude do presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos é ofensiva para todos nós. Um indivíduo destes jamais deveria ter ocupado um cargo público, pois não quer saber, nem acredita no Estado. Boa viagem.

ecos de uma entrevista

A propósito do colóquio sobre Monsenhor José de Castro que já aqui publicitei, enviei para publicação no jornal Mensageiro de Bragança e para a Voz Portucalense este pequeno contributo sobre a oportunidade e o valor deste iniciativa (fica aqui em primeira mão):

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No próximo dia 9 de Dezembro a diocese de Bragança-Miranda e a Câmara Municipal de Bragança vão homenagear Monsenhor José de Castro, figura maior do clero e da cultura nacional. Nesse dia, e no âmbito dos 50 anos do seu falecimento, vai ter lugar um colóquio subordinado ao estudo da sua vida, obra e pensamento. Tendo tido conhecimento desse evento através deste jornal (edição de 24 de Novembro), não posso deixar de me associar à iniciativa, pois considero que este ilustre bragançano nunca mereceu por parte das autoridades locais e regionais as devidas honras e considerações, se não vejamos a diferença entre o reconhecimento póstumo à figura e à obra do Abade Francisco Manuel Alves, vulgo, Abade de Baçal e a perfeita amnésia colectiva em relação a Monsenhor José de Castro. Nessa edição de 24 de Novembro do “Mensageiro de Bragança” é publicada uma pequena entrevista ao presidente da Comissão Organizadora deste evento, o Professor Doutor Henrique Manuel Pereira que, de forma simples e bem explicita, se refere à ambição de recuperar para o presente o nome, a vida e, principalmente a vasta obra de Monsenhor José de Castro, possibilitando assim às actuais e às futuras gerações conhecerem o seu extraordinário legado. No fim dessa entrevista Henrique Manuel Pereira perspectiva aquilo que poderá ser o caminho certo para a recolocação de Monsenhor no lugar devido, nomeadamente através de um centro de estudos e um serviço educativo centrado na sua personalidade, ou através do estudo e reedição da sua obra, ou através da edição de textos inéditos e da realização de documentários e afins.
Na referida entrevista, historia-se o que entre nós tem merecido a memória de Mons. José de Castro, sem esquecer de louvar o esforço para a reabilitar por parte de personalidades como Belarmino Afonso e D. António José Rafael. De resto, este não é o primeiro serviço que Henrique Manuel Pereira presta à figura de Mons. José de Castro. Bastará lembrar a competente e rigorosa organização dos livros “D. Frei Bartolomeu dos Mártires e outros textos sobre o venerável” (2014) e mais recentemente “In Memoriam: Pe. Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal” (2016), ambos editados pela diocese de Bragança-Miranda.
Das iniciativas para o futuro, avançadas na entrevista a que nos vimos referindo, sem desmerecer qualquer uma delas, merece-me destaque a vertente pedagógica, naquilo que poderá e deverá ser um serviço educativo ao dispor das comunidades escolares e, em particular, dos estudantes da região e para além dela. Será relevante, do ponto de vista educacional, cultural e até social, levar Monsenhor José de Castro até às escolas básicas e secundarias de Bragança e não só, proporcionando assim um efectivo conhecimento do cidadão bragançano, do laborioso estudioso e, não menos importante, do produtor cultural que Monsenhor foi. Importa que essas novas gerações percebam e entendam o seu contributo para aquilo que Bragança hoje é, enquanto diocese e mesmo enquanto cidade e região.
Apesar de já conhecer a figura de Monsenhor e de já conhecer parte da sua obra, o primeiro contacto sério e aprofundado com a sua obra foi no âmbito da minha investigação sobre a vida de D. Manuel António Pires, publicada em 2015. Ao analisar a sua correspondência logo percebi uma proximidade e entre ambos e, se assim poderei dizer, uma relação onde Monsenhor desempenharia um papel tutelar e até paternalista, no melhor sentido do termo, em relação ao então jovem seminarista e estudante em Bragança e Roma e, também, depois sacerdote na diocese de Bragança e bispo em Silva Porto, Angola.
Do que já conheço da pessoa e obra de Monsenhor José de Castro aquilo que mais admiro e mais me impressiona é a sua elevadíssima capacidade de trabalho, seja na investigação, seja na produção escrita e cultural. Tendo sido quem foi e tendo ocupado os lugares que ocupou, como conseguiu ele espaço e tempo para tamanha obra? Teria ele tido consciência da dimensão hercúlea do seu esforço? Teria ele tido consciência que estaria a trabalhar, não para si e para os seus contemporâneos, mas para aqueles que um dia viriam, ou seja, nós?
Estamos perante uma obra singular e que, sem dúvida, urge conhecer e dar a conhecer. Será essa a melhor forma de dignificar a sua vida e a sua memória.

Luís Vale

Vila Boa, 30 de Novembro de 2016 "

29 novembro 2016

peditório

Nunca aqui o tinha realizado, mas chegou a hora de tal acontecer.
Pois é, aproximando-se um evento editorial de substancial relevância para nós, para vós e, quem sabe, até para a própria humanidade, cabe-me, enquanto escrevente da coisa, questionar a comunidade de apurriados se alguém está interessado em patrocinar, apoiar, sustentar ou financiar o dito projecto. O pedido é extensível a familiares, amigos, amantes e afins.
Dar-se-ão alvíssaras e um forte abraço como contra-partida.
Agradece o autor e, depois, agradecerão todos os leitores.
Obrigado.

28 novembro 2016

solilóquio

Hábito meu, hábito este de me antecipar à pontualidade. Momento após momento, dia após dia, constato o facto. Sou o primeiro a chegar, sou eu que espero. Sempre.

a quem interessar...

Enquanto membro da comissão organizadora, com certeza, lá estarei.

26 novembro 2016

solilóquio

Se na contemporaneidade o comando da tv é um símbolo de poder, então cá em casa eu estou bem longe desse privilégio.

fidel castro


No dia em que sabe da sua morte, para o bem e para o mal, foi uma figura incontornável do século XX. Por motivações e atitudes questionáveis e com as quais poderemos ou não concordar, conquistou o seu lugar na história universal. Estranho é ver parte da sua população a chorar e outra a festejar.

sexta-feira negra

Para além da triste escolha na designação de "black friday" para o dia de descontos em muitas lojas e marcas que ontem aconteceu, parece-me ridículo e até ofensivo à inteligência das pessoas, se quiserem dos consumidores, apelar às suas carteiras com descontos que não são nada de extraordinário e que vão acontecendo ao longo do ano sem a etiqueta "black friday". Mais uma importação parva. Não sei se houve ou não grandes confusões e se houve ou não um volume de vendas significativo, mas irrita-me saber que mesmo depois dos muitos avisos e alertas, haja portugueses que correram para as lojas ávidos de "promoções".
Depois, ainda há a questão da desonestidade e falta de escrúpulos de muitas empresas que, previamente, inflacionam os preços para depois poderem apresentar os tais descontos fenomenais. Fica uma ilustração daquilo que pretendi manifestar.

hipocrisia à fome

Anda para aí meio país, quer dizer, anda para aí a comunicação social toda, quer dizer, anda para aí alguma comunicação social excitadíssima com a atribuição de estrelas Michelin a restaurantes portugueses. Tratando-se de gostos e de assuntos do palato, não vale a pena discutir, mas caramba, verdade seja dita, ou pelo menos corroborada, trata-se apenas da elegia à gastronomia da fome. Que tipo de sociedade se pode dar ao luxo de premiar este modo de comer, esta forma de vender refeições? Apenas e só uma sociedade hipócrita e sem a experiência ou memória da fome.

23 novembro 2016

she just want to be somewhere
and I,
I will chose to stay here, always.

21 novembro 2016

eles não vão comer tudo

Ainda dizem que não há diferenças entre a esquerda e a direita?! A Carris passou a ser da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa a partir de hoje. Aqui está um exemplo paradigmático, a ser reproduzido, daquilo que deveria ser o comportamento, a atitude de um estado responsável e preocupado com o interesse do seu povo. Sim, sim e sim. Se a Carris presta um serviço público de transporte na cidade de Lisboa e arredores, porque não estar na tutela da autarquia, em vez de na mão de um qualquer privado? Se estamos a falar do interesse e da qualidade de vida dos habitantes de uma cidade como Lisboa, só tem que ser a Câmara Municipal a cuidar desses serviços. E não me venham falar do lucro, pois considero que se o serviço tiver qualidade e eficiente não terá que ter, obrigatoriamente, lucro, apenas se exige que seja bem gerido.
E ainda que possam, alguns, advertir para a proximidade das eleições autárquicas e, assim, ser esta uma medida eleitoralista, que seja, que digam, pois há inequivocamente um benefício claro e imediato para os seus utentes. Aliás, as medidas agora anunciadas promoverão a Carris e os seus serviços e atrairão novos utilizadores. Fernando Medina, actual presidente da autarquia alfacinha, anunciou hoje várias medidas e várias alterações que pretende implementar com a sua gestão na Carris. Desde logo a aquisição de 250 novos autocarros e a contratação de 220 motoristas e, depois e principalmente, o passe gratuito para menores de 12 anos e descontos para idosos, entre outras medidas. Palmas, se isto não é serviço público, se isto não é interesse público, então expliquem lá!...
A defesa do interesse da população e não do interesse de uma minoria que está habituada a comer tudo, é a atitude correcta da esquerda em que me incluo e acredito.
Muito bem feito. Muito bem.

20 novembro 2016

literato ímpar


Foi a propósito da biografia de Luiz Pacheco, sobre a qual há dias escrevi aqui, que conheci a figura de Vitor Silva Tavares, editor da &etc e conhecedor profundo do universo literário da segunda metade do século XX em Portugal. Desde então tenho andado frenético a descobrir, através dessa maravilhosa ferramenta chamada youtube, todo o material que existe onde ele intervém.
Para além de ter testemunhado os meandros da cena literária de todo esse período histórico e ter privado com os maiores nomes da nossa literatura, entre os quais Natália Correia, Mario Cesariny de Vasconcelos, Luíz Pacheco, Herberto Helder, José Cardoso Pires, Almada Negreiros e João Cesar Monteiro, entre outros, impressionou-me a perspectiva do seu pensamento, liberto das amarras e constrangimentos da indústria do livro, da sua capacidade e facilidade comunicacional e, principalmente, da sua independência e liberdade, num espírito rebelde e anarca.
Vitor Silva Tavares faleceu em 21 de Setembro de 2015 com 78 anos. Com ele acabou também o projecto da &etc que fechou portas e entregou todo o seu catálogo à Letra Livre. Façam busca pelo seu nome e vão ficar surpreendidos com este personagem singular e último testemunho de uma época maior da nossa história literária.

14 novembro 2016

ansiedade de ti

O seu nome não era Luzia, mas a vontade de a encontrar, de a descobrir por entre a gente, era imensa. A sua simples presença era insuportavelmente desejada, a dúvida permanente se estaria ou não, se iria chegar ou não, toldava os sentidos até ao momento em que, finalmente, os olhares se encontravam. Depois, depois não importava, já ali estava e tudo o resto desvanecia.

baú da memória XIV

Um sabor indeterminado, por semelhança ou aproximação, trouxe-me à memória o abominável óleo de fígado de bacalhau. Só de pronunciar ou escrever o seu nome já fico nauseado. Em criança, isto no final da década de 70 e princípio da de 80 do século XX, fui terrivelmente perseguido pela gordura desse miúdo do bacalhau com sabor aromático a banana. Para me tentarem convencer a toma-lo, os meus pais bem diziam que no seu tempo de meninice era bem pior, pois não havia o aditivo de banana, nem de nada, tomavam-no puro, mas eu nunca queria. Tinha pesadelos com ele, chorava baba e ranho para o não tomar, fazia birras do tamanho do mundo, mas nada adiantava, pois o meu pai, determinado e persuasivo, conseguia sempre enfiar-me a porra da colher pela goela abaixo.
Não sei se ainda existe e se alguém o toma ou dá às suas crianças, mas uma coisa é certa, esse óleo era mau demais, não consigo identificar um sabor pior. Naquele tempo, pelo menos à minha volta, sei que eram várias as crianças que o tomavam e todas esperneavam nesse momento.
Desconheço as suas qualidades terapêuticas, quais os princípios activos e quais as indicações médicas, mas desconfio que se tratava de uma daquelas substâncias omnipotentes que os pediatras, nos anos 70 e 80 (pelo menos), prescreviam amiúde.
Foi, bem sei, pela melhor das razões que os pais me obrigaram a toma-lo, mas o trauma foi forte e cá ficou, e a marca do seu sabor vai-me acompanhar pelo resto dos meus dias.

mediascape: primeiro estranha-se, depois não se entranha

Passada quase uma semana desde as eleições americanas e da vitória de Donald Trump, depois do choque inicial e do estado de negação, passada a ressaca, é tempo de "cair na real" e aceitar o destino que nos espera, pelo menos nos próximos quatro anos. Do muito que se tem dito e escrito acerca do futuro dos EUA e do mundo com a vitória de Trump, nada ou quase nada se aproveita e eu também não estou nada interessado em saber o que é que esses iluminados, que até ao último minuto previam, acreditavam e justificavam uma vitória da democrata Hillary Clinton, têm para me dizer.
Sintoma muito perigoso é a reacção pouco ou nada democrática de muitos que teimam em rejeitar a realidade. Manifestações de repúdio, de rejeição das próprias eleições são uma patetice e inadmissíveis para quem acredita e quer viver em estados democráticos. Podemos não gostar, podemos detestar e ter receio das políticas vencedoras, podemos até não concordar com o formato, ou com as leis que regem as eleições e que permitem que um candidato com menos votos populares do que outro ganhe e seja eleito, mas este não é o momento para se discutir essa questão. Terão todo o tempo para o fazer e sempre em relação a eleições futuras. Numa sociedade como a americana que se gaba de ser a maior democracia do mundo, não fica bem questionar ou duvidar deste resultado.
Por muito que me custe, por muito que não goste da personagem e daquilo que ela significará para o mundo enquanto inquilino da Casa Branca, ele ganhou e temos que aprender a viver com esse facto.
Estranhamos, estranhamos e estranhamos, mas depois, mesmo não entranhando, a vida segue o seu rumo.

12 novembro 2016

licor dos deuses

A confissão saiu espontânea e sem preocupação num encontro de amigos e conhecidos... jamais provara desse valioso e prestigiado vinho. A conversa divergiu e, depois, cada um de nós também seguiu o seu caminho. Passados alguns dias, o telefone toca e pedem-me para descer à rua. Sem tempo para qualquer reacção vejo-me com um embrulho no colo, que pelo formato percebo ser de uma garrafa. Nesse momento, iluminado, percebi o que estava escondido por trás de um papel manhoso e opaco. Tentei resistir à oferta, uma, duas e três vezes, mas a determinação era tremenda, fundamentada por um sentimento genuíno de amizade e consideração... seria para a celebração de uma data especial do casal.
Agora, aí está, tranquila e aguardando essa data que há-de vir e, desconfio, não irá demorar muito.

o escritor maldito


Confirmando a minha iliteracia, ou pelo menos as graves lacunas que possuo face à literatura portuguesa, seja a clássica, seja a contemporânea, a leitura da biografia de Luíz Pacheco, que apresenta o sugestivo título "Puta que os pariu", e que sôfrego li nos últimos dias, foi uma perfeita epifania. Não sendo um completo estranho, não conhecia a sua obra, nem estava consciente da sua personagem, da sua importância no universo da literatura nacional da segunda metade do século XX, do seu carisma e dos seus estigmas. Trata-se de alguém que dedicou toda a sua vida à literatura, que por opção viveu na indigência ou suas fronteiras, que abdicou do conforto do centro, do estabelecimento no mainstream literário lisboeta e preferiu sempre as margens e os seus habitantes, em nome de uma ética, de uma moral, de uma liberdade total para escrever.
Após a leitura da sua biografia percebe-se claramente a simbiose entre a vida e a obra produzida, numa atitude eminentemente auto-biográfica, em que a sua própria vida, as suas experiências e aventuras são a matéria-prima para a sua escrita. Identificado como pertencente à escola surrealista e/ou à escola abjeccionista, estigmatizado por muitos dos seus contemporâneos e pares pela implacável e feroz crítica que produzia, idolatrado por outros pela coragem, despudor e força dos seus escritos, Luíz Pacheco manteve-se fiel a esse princípio maior de liberdade (para muitos libertinagem) até ao fim.
Durante a leitura, investiguei todos aqueles que, aí mencionados, se relacionaram ou conviveram com Pacheco; vi dois documentários sobre ele: "O Libertino" e "A vida e o texto", ambos disponíveis na internet. Agora, terminada a leitura e conhecido o seu percurso, resta-me procurar, ler e conhecer a sua arte. Vou-me pôr a caminho, de imediato.

11 novembro 2016

I'm ready, my Lord *


Foi pela rádio que soube da notícia da morte de Leonard Cohen. Dia triste logo pela manhã. Desapareceu o maior entre os maiores. Morreu-me alguém muito próximo, a voz parceira de tantas e tantas horas, de tantas e tantas leituras, de muita escrita e trabalhos. Morreu aquele que sem nunca o saber, era um confidente da minha solidão, dos meus humores e das minhas incertezas.
Chorei comovido quando o ouvi pela primeira vez ao vivo, em Lisboa. Voltei a estar com ele, uns anos mais tarde, em Ourense (Espanha) e a tempestade foi a mesma. Choro agora o seu desaparecimento. Ficam-me os seus discos, a sua poesia, a sua voz inconfundível, a sua elegância e elevação. Pela vasta obra que deixa como legado, se não estou em erro, 14 álbuns de originais, que eu penso ter praticamente todos, não sou capaz de eleger qualquer canção, pois toda a obra é, como diz um amigo meu, sublime. Estou triste.

* Canta ele na canção "You want it darker", do álbum com o mesmo nome, lançado há poucos meses.